Novas Poesias

QUÉM É AQUELA MULHER 08 de agosto de 2014

QUÉM É AQUELA MULHER

QUEM É AQUELA MULHER

Quem é aquela ali passando:
vestido sem passar,
sandálias sem afivelar,
cabelos sem pentear,
unhas por fazer,
maquiagem... nem pensar?

Quem é aquela ali sentada:
panelas cheias no fogão,
pratos vazios na mesa,
olhos no relógio,
ouvidos no portão,
boca silenciada,
coração dilacerado,
pensamento perdido na
escuridão da madrugada?

Quem é aquela, ali tão desolada:
sem mais lágrimas pra chorar,
que as franjas do rosto
revelam idade não alcançada,
que se veste só para não
expor sua vergonha,

que nunca está com fome,
come só pra não desfalecer,
que deita, mas sempre coberta
pelos remédios faixa preta
e, quando consegue dormir,
gostaria de nunca mais acordar?

Quem é aquela que ali vai:
deitada num espaço tão estreito,
mas ela não precisa de espaço,
pois não mexe nem os braços;
deitada numa madeira dura,
mas ela não precisa de conforto,
pois já cessaram suas agruras?

Aquela que ali vai, tão cedo,
é a mãe de um filho querido,
dependente químico, que ela fez tudo para salvar,
mas não conseguiu nem mesmo salvar-se.

Rev. Valdomiro Pires de Oliveira
PRA DIZER QUE TE AMO 08 de agosto de 2014

PRA DIZER QUE TE AMO

Eu queria ser na sua vida o
o bálsamo que sara suas feridas;
a água santa que lava
as mágoas reprimidas;
a alegria que compensa
as tristezas já vividas.

Eu queria ser o oxigênio
que revigora os seus pulmões;
o orvalho da manhã
que lava as tensões;
o banho de luar
que ilumina os porões.

Eu queria ser a rima pobre
que faz sua poesia rica;
as notas dissonantes
que faz seu canto infindo;
a frase de amor
que faz seu dia lindo.

Ah!
Eu queria ser na sua vida
um primeiro beijo;
uma paixão duradoura
e muito diferente;
uma companhia simples
mas gostosa, envolvente...

Valdomiro Pires de Oliveira
SOU JOVEM 08 de agosto de 2014

SOU JOVEM

Eu sou jovem, e me comove,
ao amanhecer, ver o sol colorindo
o céu com mil cores...
Ver os insetos e as aves
enchendo o ar de sons
com sonoras notas.

Eu sou jovem, e me comove
saber que Deus fez tudo isso...
E que apesar da nossa rebeldia,
apesar da impiedosa destruição,
Deus traz sempre uma nova manhã,
para a nossa alegria.

Eu sou jovem, e me comove,
saber que jovens, ainda botão, como eu,
andam por aí sem vida, sem Deus...
Caem nas drogas e noutros vícios...
Caem no conto do “Ficar”,
do sexo sem compromisso
e depois choram e fazem chorar os seus.

Eu sou jovem, e me comove saber
que em Cristo sou livre para ser feliz,
para fazer da vida uma coisa bela, uma graça(!),
Me comove saber que um dia vou namorar
e posso fazer do meu namoro
uma forma de adorar a Deus.

Valdomiro Pires de Oliveira
VISTA AÉREA 08 de agosto de 2014

VISTA AÉREA

VISTA AÉREA

Quando lá de cima olho
para o mundo me espanto:
quantas guerras, quantas mortes,
quanto desespero, quanto pranto,
quantos povos que no parte-reparte
ficaram sem sua parte.

Ah! Meu Deus!!
Onde estão os seus?
Surdos a tantos ais,
perdidos, sem papel...
Não gritam por justiça,
nem pelo Reino do Céu!

Quando olho para o Brasil,
Mais contrastes nunca se viu;
Quanta terra, água e sol...
Quanto desamparo fome e sede,
quantas famílias que no parte-reparte
ficaram sem sua parte.

Quando olho minha cidade
o meu coração se parte:
dói o barraco, o cortiço dói,
dói a saúde, o ensino dói,
dói o desemprego, a violência dói,
dói sim, toda a injustiça dói...

Valdomiro Pires de Oliveira
TESTEMUNHO 10 de outubro de 2014

TESTEMUNHO

Eu ando tão só!
Perdido que nem sei!
Alguém ainda me ama?
Os bons amigos se foram
e esqueceram de voltar...
Sinto vontade de ir embora,
mas pergunto: pra onde?
Que rumo tomar na vida?

Pelos caminhos
machuquei pessoas,
mas nenhuma vez
feri alguém por querer.
Quando se trata do coração
não dou conta: faço coisas
boas que encantam, mas
também erro, sofro e faço sofrer...
Acho até que algumas pessoas
já se cansaram de me perdoar...

Tem hora que sinto vontade
de sentar na calçada e chorar,
chorar, chorar até amanhecer,
depois andar, andar até me perder.
Cachorro sem dono expiando
seus erros, pagando suas contas
e perguntando: mereço recomeçar?
Espero que alguém ainda me veja, com
os olhos de antes, e saia a me procurar.
É mais provável que alguém que já
foi tão perdido quanto eu me acolha
e me diga, com firmeza, o que devo fazer.
Hoje só uma coisa me serve de conforto:
saber que Deus ama os perdidos.

Valdomiro Pires de Oliveira
SEI QUE ERREI 08 de agosto de 2014

SEI QUE ERREI

SEI QUE ERREI

Pai, hoje chego ao teu altar,
quebrantado de coração,
nem consigo abrir a boca
para dizer: Senhor, perdão!

Sei que andei muito errado,
sem saber, dizendo que sabia.
Até me acostumei no pecado,
na mentira, na falsa alegria...

Agora vejo que me rebelei,
mesmo carente dos teus braços
de amor a me abraçar.

Pai, agora estou de volta,
aceita-me nesta casa santa.
Os teus ensinos me alegram,
a tua cruz já não me espanta.

Sei que não estou mais só,
o Espírito Santo vai comigo
passo a passo pelo caminho,
sinalizando onde mora o perigo.

Valdomiro Pires de Oliveira
SUBLIME PASTOR 09 de setembro de 2014

SUBLIME PASTOR

SUBLIME PASTOR

O Senhor é o meu pastor
ainda com a despensa vazia,
com a previdência doentia
e a noite dizendo na janela:
está longe o novo dia!

O Senhor é o meu pastor
ainda quando as florestas
viram uma queimada só
e as águas de descanso
uma impureza que faz dó.

O Senhor é o meu pastor
ainda quando pelo vale
das usinas nucleares
uma sirene estridente
anuncia dias intranqüilos.

O Senhor é o meu pastor
ainda quando a injustiça
corre palácios e tribunais,
condena pobres e trabalhadores
e inocenta poderosos e marginais.

O Senhor é o meu Pastor
ainda quando a mesa farta
e o lucro sem precedente
são para os nossos bancos,
para as multinacionais,
não para a nossa gente.

O Senhor é o meu Pastor
e a sua misericórdia me
seguirá em todas as idades,
pelas catástrofes naturais
e pelos perigos nas cidades.

O Senhor é o meu sublime pastor!...

Valdomiro Pires de Oliveira
PAGODE DOS 12 MÊSES 11 de outubro de 2014

PAGODE DOS 12 MÊSES

PAGODE DOS 12 MÊSES

Janeiro é o mês um,
novo como nenhum.
Fevereiro e o mês dois,
deixam tudo pra depois.
Março é o mês três,
Quem pára perde a vez.
Abril é o mês quatro,
se errar paga o pato.
Maio e o mês cinco,
de noiva eu não brinco.
Junho é o mês seis,
namorar é minha vez.
Julho é o mês sete,
cuidado senão repete.
Agosto é o mês oito,
estudar não é biscoito.
Setembro é o mês nove,
a primavera nos comove.
Outubro é o mês dez,
dia 12, é criança pra meréis.
Novembro é o mês onze,
Medalha? Nem que seja bronze.
dezembro é o mês doze.
Muita luz... Nasceu o menino Jesus.

Queremos em cada mês,
cantar o nosso dia-dia!
fazer um pagode pra Deus,
oferecendo a nossa alegria!

Letra: Valdomiro Pires de Oliveira
Música: Sandrinho
ORAÇÃO AO PAI 11 de outubro de 2014

ORAÇÃO AO PAI

Em nome de Jesus,
peço ao pai força pra vencer
meu orgulho, meu egoísmo,
minha vaidade e pessimismo.
Peço refazer meus sentimentos
e reanimar meu altruísmo.

Em nome de Jesus,
me entrego ao Pai em oração:
Pelo meu irmão enfermo
ou com perturbação...
Pelo cristão que não se perdoa,
nem perdoa o seu irmão,
pelo irmão que se ausentou
dos cultos e da comunhão.

Em nome de Jesus,
peço à Igreja que se
entregue em oração:
Pelas pessoas prisioneiras
dos vícios ou da solidão;
pelas pessoas oprimidas
em risco de auto-destruição;
pelas pessoas marcadas
por toda sorte de desilusão
e pelas que se acham superiores,
mas estão sem Cristo no coração.

Valdomiro Pires de Oliveira
LUGAR DE PAZ 11 de outubro de 2014

LUGAR DE PAZ

Quero um lugar
de paz, bem assim:
trilha verde para fazer,
fruta boa para comer,
brisa leve para sentir,
flores belas para colher,
água de bica para beber,
cantar de aves para ouvir
espelho d’água para me olhar.

Quero um lugar de
paz com alguém assim:
leveza de uma pena,
sabor de algodão-doce,
cheiro de fruta boa,
jeito doce de me olhar,
encantos do irapuru,
beleza do galo da serra,
grandeza do céu azul.

Nem sei se mereço
esse lugar de tanta beleza,
esse alguém de tantos encantos,
mas pode ser só por um dia
só por um momento esse prazer,
essa encantada alegria.

Valdomiro Pires de Oliveira
LAVA SENHOR 11 de outubro de 2014

LAVA SENHOR

Senhor, lava os meus pés:
precipitei alguns passos,
pisei quem não merecia,
andei por caminhos errados,
parei quando devia ter continuado,
deixei os meus pés me levarem para o pecado.

Senhor, lava as minhas mãos:
toquei o que não devia,
fiz gestos que ofenderam,
feri quem já estava machucado,
perdi de tecer coisas do teu agrado,
deixei minhas mãos acariciarem o pecado.

Senhor, lava a minha boca:
Ofendi com palavras e palavrões,
contei o que era segredo,
expus as fraquezas alheias,
falei quando devia ter me calado,
deixei minha boca me chafurdar no pecado.

Senhor, lava o meu coração:
nele guardei coisas do mal
cultivei raiva do meu irmão,
paixão pelo que é errado,
dei espaço às ervas daninhas,
e nunca aceitei que estava enganado.

Senhor, olha as minhas necessidades!
e faça das minhas mãos, dos meus pés,
da minha boca e do meu coração,
órgãos úteis ao teu Reino. Abençoados!...
E que eu viva para o teu louvor,
para abençoar e ser abençoado!...

Valdomiro Pires de Oliveira
INDAGAÇÕES DE POETA 11 de outubro de 2014

INDAGAÇÕES DE POETA

Desde o dia
em que me achei poeta,
passo tempo perguntando:
onde é a fonte da poesia?

Será no lírio, na flor de itapeuá
Será na rosa, no cravo, no jasmim,
no gira-sol, na flor do maracujá,
ou noutra flor qualquer do jardim?

Será no horizonte colorido,
na floresta mais profunda,
ou no mar que se mergulha,
sem nunca chegar ao fundo?

Será na fragilidade de todo o ser,
Nos sonhos, nas paixões, no prazer,
ou nas idéias criativas que se tem,
que jamais se sabe de onde vem?

Será na beleza, no encanto
do olhar, no sabor de se beijar
ou nos sentimentos que se tem
que ninguém conseguiu filmar?

Valdomiro Pires de Oliveira
INDAGAÇÕES DE NATAL 11 de outubro de 2014

INDAGAÇÕES DE NATAL

Este ano queremos saber:
Onde o menino vai nascer?

Nas vias ou vielas,
onde nascem as Marias
Na favela ou num cortiço,
sem espaço e sem janela,
ou num acampamento
como filho dos sem terra,
ou nas dunas do oriente
como vítima da guerra.

Este ano queremos saber:
o que temos a oferecer?

Ao invés de ouro e mirra,
de perfume e incenso,
Ele quer da nossa vida
compromisso mais intenso,
de por fim a violência,
dos herodes desse mundo,
que exterminam nossos filhos,
sem piedade, num segundo.

Este ano queremos saber:
O que o menino vai trazer?

Ele é a própria luz
que brilha na escuridão.
Abre com graça o caminho
da vida, do amor e perdão.
Sua presença e sua palavra
em alegria e paz se traduz,
recriando a força do sonho,
dizendo: meu nome é Jesus.

Valdomiro Pires de Oliveira
Carlos Eduardo B. Calvani
GIRA-SOL 11 de outubro de 2014

GIRA-SOL

GIRA-SOL
Gira, gira,
gira o sol,
gira o vento,
gira o tempo
ao girar o gira-sol.

Gira a terra,
gira a lua,
giram as flores,
giram as cores
ao girar o gira-sol.

Girando a gente,
gira o pensar
giram as idéias,
giram os olhares
ao girar o gira-sol.


Girando a vida,
gira o coração,
giram os sentidos,
giram as emoções
ao girar o gira-sol.

Giram no gira-sol,
o ódio e o amor,
a guerra e a paz,
a morte e a vida
e a palavra que diz:
escolhe, pois a vida...

Valdomiro Pires de Oliveira
FALCÃO DA VILA 11 de outubro de 2014

FALCÃO DA VILA

Voa Aranha!...
Voa falcão da Vila...
Voa com firmeza,
você é gente boa.

Soca escanteios,
espalma cabeçadas,
pega chute de voleio,
pega puxada de bicicleta,
pega até chute que pega na veia.

Sai bem do gol,
lança como ninguém,
pega bolas rasteiras,
pega chute de primeira
e até bola desviada na barreira.

Aranha é grande goleiro,
concentrado e persistente,
cata pênalti, cata tudo...
Com ele o gol é um portão
fechado com cadeado
na corrente.

Valdomiro Pires de Oliveira
CONFISSÃO DE AMIGO 11 de outubro de 2014

CONFISSÃO DE AMIGO

Sinto que preciso
gostar mais de mim,
valorizar meus talentos,
me olhar mais no espelho
e viver de bem comigo
todos os momentos.

Demorei, mas aprendi
que até a pessoa
mais querida pode
desgostar de mim...
Até um filho briga,
se vai e a gente chora,
um choro sem fim.

É triste quando isso
nos acontece e não
é possível esconder
a dor, o sofrimento...
O que nos conforta
é saber que sempre
nos restará a eterna
amizade de Deus.

Valdomiro Pires de Oliveira
CANÇÃO DA ROÇA 11 de outubro de 2014

CANÇÃO DA ROÇA

Esse lugar que vivo
é muito diferente...
Aqui se trabalha muito
e se vive contente.

Se eu tenho que escolher,
entre o bom-bom e o caqui,
eu escolho com alegria
o caqui-chocolate.

Se eu tenho que plantar
batatinha ou erva-doce,
sem pensar duas vezes,
planto a batata-doce.

Se eu tenho que fazer
farinha de milho e mandioca,
faço logo de uma vez,
farinha de milho-pipoca.

Se eu tenho que escolher
entre o macaco e o leão,
escolho na certeza
o mico-leão dourado.

Valdomiro Pires de Oliveira
A PAZ É MULTICOR 11 de outubro de 2014

A PAZ É MULTICOR

Vem ave da paz...
Vem e pousa sobre
os escombros da guerra
que cheira miséria e morte...
Vem e pousa sobre os ombros
dos soldados cansados e sem norte.

Deixe a paz fazer o seu caminho,
deixe a paz singrar os mares,
deixe a paz descer os vales,
Deixe a paz subir os morros...
Antes que a vida se cale sob o chão,
Deixe a paz nascer em seu coração.

Vem ave da paz...
Vem aos nossos dias sangrentos...
Vem fazer de cada arma de morte
um instrumento musical,
e de cada soldado uma ave canoura
com um canto sem igual...

Vem ave da paz...
Vem sem preguiça!
Vem e içar suas bandeiras:
A bandeira azul da justiça
e na mesma haste iça a bandeira
multicor do perdão e do amor.

Valdomiro Pires de Oliveira
DE VOLTA 15 de outubro de 2014

DE VOLTA

DE VOLTA

Pai, estou voltando,
agora sem nada,
sem minha mala,
sem uma jóia,
roupas esfarrapadas,
pés descalços e até sem fala.

Pai, de hoje não passa
a minha volta.
E a tua graça
é a única água
capaz de lavar
minhas revoltas e minhas mágoas.

Pai, trago tristezas,
desilusões, muitos medos,
insegurança e cicatriz...
Estou feio por dentro,
deprimido, infeliz.

Pai, veja bem:
Quero pelo seu poder
refazer a minha vida,
fazer um lar de paz na minha casa,
outro na minha Igreja,
e do mundo um lar também.

Pai! Meu Pai!
Eu sei que sonho coisas boas demais...
Utopias!...
Mas sei também que um rosto saudável,
bonito, feliz, risonho,
vem junto com as lutas,
cavalgando no cavalo dos sonhos.

Valdomiro Pires de Oliveira
BRASIL LINDO 17 de outubro de 2014

BRASIL LINDO

BRASIL LINDO

Nosso país é lindo
do Oiapoque ao Chuí...
A Serra Gaúcha, Camburiú,
Porto Seguro, Foz do Iguaçú
e o Rio Amazonas, Deus fez aqui!

Brasil! Brasil!
Lindo de fio a pavio.
se existe um país mais lindo,
ninguém viu, nem descobriu.

Nosso país é lindo
do Oiapoque ao Chuí...
Jericoacoara, Corcovado,
Guarujá, Bonito-Pantanal
e um clima tropical, Deus fez aqui.

Nosso povo é lindo,
mais lindo não se viu
mameluco, curiboca,
cafuzo, mulato, caburé...
miscigenação assim, só existe aqui.

Letra: Valdomiro Pires de Oliveira
Música: Regina Célia M. P. de Oliveira

Miscigenação: No Brasil temos a rica
mistura das raças que trouxe à luz esse
povo lindo: branca, preta e vermelha.
- Mulato: Branco com preto
- Mameluco: Índio com branco
- Cafuzo: Negro com índio
- Caburé: Caboclo, caipira...
- Curiboca: É a mistura das misturas.
CANTA E VOA SABIÁ 17 de outubro de 2014

CANTA E VOA SABIÁ

CANTA E VOA SABIÁ

O poeta quando ouve
o cantar do sabiá,
senta em sua reverência,
fica até sem respirar.
O pomar inteiro silencia,
pra poesia escutar,
até mesmo o canário,
tem vergonha de cantar.

Canta, canta, sabiá!...
Canta até fazer o sol raiar.
Nenhum canto deste mundo,
é mais lindo que o seu cantar.

O grande violeiro,
quando ouve o sabiá,
fica mudo a escutar,
pára até seu dedilhar.
A viola bem tocada,
no ponteio faz chorar.
O sabiá quando canta
de saudade faz sonhar.

O caboclo na cidade,
quando ouve o sabiá,
sente aquela nostalgia,
tem vontade de voltar.
Olha para a gaiola,
Sente o peito relutar,
então abre sua porta
e deixa o sabiá voar...

Voa sabiá! Voa!...
Voa que o céu vai se alegrar.
Nenhum vôo deste mundo,
é mais lindo que o voar do sabiá.

Valdomiro Pires de Oliveira
GANHEI O MEU DIA 17 de outubro de 2014

GANHEI O MEU DIA

GANHEI O MEU DIA

Ganhei!
Ganhei o meu dia.
Eu sou do bem
e só quero alegria.
Vem, vem...
Entra nessa você também.

Plantei uma semente
no canto da praça,
fui a um pesqueiro
fazer pesque e solte,
queimei com prazer
minhas armas de caça.

Empinei uma pipa
num terreno baldio,
pulei amarelinha,
como quem não se cansa,
esqueci minha idade
e me fiz de criança.

Reuni uma turma
pra fazer caminhada,
socorri um menino
com um estrepe no pé.
E encerrei o meu dia
com uma prece de fé.

Valdomiro Pires de Oliveira
JARDIM TEM-TEM 17 de outubro de 2014

JARDIM TEM-TEM

JARDIM TEM-TEM

Nosso jardim
Tem suas flores
Tem seus espantos
Tem suas fontes
Tem suas cores
Tem seus encantos

TEM, TEM, TEM...
TEM ISSO TAMBÉM
TEM, TEM, TEM...
TEM VAGALUME TEM-TEM

Nosso jardim
Tem borboleta
Tem vagalume
Tem centopéia
Tem louva-deus
Tem seu perfume

Nosso jardim
Tem corre-corre
Tem pipoqueiro
Tem roda-roda
Tem namorados
Tem jardineiro

Valdomiro Pires de Oliveira
LEMBRANÇA 17 de outubro de 2014

LEMBRANÇA

LEMBRANÇA

Lembra-te do teu criador
na tua juventude.
Lembra-te de Jesus Cristo,
aquele que veio para ser
Senhor e salvador.

Lembra-te do teu criador:
antes que o sol fique embaçado,
a lua sem luz, sem brilho,
as estrelas sem cintilância
e o céu inteiro toldado.

Lembra-te do teu criador:
Antes que os braços tão fortes,
as pernas tão boas e firmes
comecem a tremer e os dentes,
de poucos, dificultem comer.

Lembra-te do teu criador,
antes que não mais consiga,
ouvir das ruas o burburinho,
o ruído das máquinas, a melodia
do vento e o cantar dos passarinhos.

Lembra-te do teu criador
no fulgor da tua juventude
para, na velhice, ainda dizer:
meus dias foram até aqui:
alguns felizes, outros nem tanto,
mas em todos tive prazer.

Valdomiro Pires de Oliveira
O DESPERTAR 2013 17 de outubro de 2014

O DESPERTAR 2013

O DESPERTAR 2013

Quando olhei as ruas
e vi a nossa juventude
em ação, acordada...
Acordando as cidades.
O meu coração acelerou,
chorei, explodi de emoção,
foi uma injeção de ânimo
em minh’alma já cansada
de tanta injustiça, descaso,
bandalheira, corrupção...

Quando me vi no estádio,
na torcida, em grande vaia,
onde o “poder” que dormia,
acordou em seu camarote,
à luz do sol de um novo dia...
Assustado, quis cobrir o rosto,
quis fugir dos mil holofotes,
sem acreditar no que ouvia,
já que não tinha mais como
fingir que de nada sabia.

É bom dizer pra moçada que
não saia das ruas e das praças,
até que limpeza completa se faça,
e a “ordem” deixe de ser desordem;
e o progresso beneficie a todos...
E possamos falar: agora, juntos, estamos
construindo o país que ousamos sonhar.

Valdomiro Pires de Oliveira
PAI ESPELHO 17 de outubro de 2014

PAI ESPELHO

PAI ESPELHO

Pai
Nunca desista de
ser homem de fé,
honesto, bondoso,
trabalhador e carinhoso...

Ô! Pai!
Continue sempre assim...
E se um dia eu errar, desobedecer,
nunca desista de mim.

Ô! Ô! Pai!
Você é meu modelo, meu abrigo,
Você é meu espelho e meu amigo...
Por você gosto da vida,
vivo e quero viver.

Pai
Que a Bênção de Deus
esteja com Você!
Olhando, cuidando,
ajudando e protegendo.

PAI , POR VOCÊ GOSTO DA VIDA
VIVO E QUERO VIVER, (4X).
PAI, PORVOCÊ GOSTO DA VIDA
VIVO E QUERO VIVER. (4X)
PAI!
QUASE UMA POESIA 17 de outubro de 2014

QUASE UMA POESIA

QUASE UMA POESIA

Eu quase não vi o tempo,
mas ele passou por mim...
Deixei os meus dias ao léu
E quase fui um morto vivo,
quase esqueceram de mim...
Depois deixei de ser lagarta
e quase virei uma borboleta...
Voei com grandes asas pelo
céu e fiz manobras de beija-flor,
pintei a minha vida, tão sem
graça, um dia de cada cor,
pulei de pára-quedas,decorei
uma poesia que falei ao vento...
Por um momento subi, subi
até poder beijar uma estrela,
mas depois, infelizmente,
apenas quase não acordei...

Não sei se tenho medo ou raiva
do quase, porque muito do que
nunca desejei, quando menos
esperava, deixou de ser quase.
Mas sei também que muitas coisas
ruins que poderiam me vir, Alguém
mais que eu, as deixou no quase.
Mesmo assim, quando penso em
que muito do que poderia ser ou
fazer nesta vida ficarão no quase...
Então me resta no máximo chorar!...

Valdomiro Pires de Oliveira
RETROSPECTIVA 17 de outubro de 2014

RETROSPECTIVA

RETROSPECTIVA

Finalmente acordei
para os meus limites,
a minha pequenez humana...
Sinto-me quase nada, um cálice
vazio numa mesa sem pão,
um grão de areia numa praia sem fim,
o vagão vazio da composição da vida...

Acordei me sentido
menos que a lua que
depende do sol para brilhar;
menos que o riacho que para
ser mar perde o seu doce;
menos que o jovem que desafiado
não pensa, nem conta até três;
menos que o palhaço que
mesmo infeliz coloca um nariz
vermelho e faz a platéia sorrir.

Por vezes dói pensar se na
vida fiz alguma coisa boa,
pois não ganhei um troféu,
uma medalha de bronze, de
prata, muito menos de ouro...
Mesmo não recebendo sequer
uma medalha de lata, jamais
direi que a vida me foi ingrata.

Confesso! Já fui dormir, mais
de uma vez, querendo chorar,
achando que fui inútil na vida,
que pouco fiz do muito que
podia ter feito, mas o Pai eterno,
sempre me usou de misericórdia,
e nunca me deixou acordar infeliz...

Valdomiro Pires de Oliveira
SÓ JESUS 17 de outubro de 2014

SÓ JESUS

SÓ JESUS

Quem não parou, pare pra ver.
Quem não conhece, deve conhecer.
Quem ainda não vive, experimente viver...

Ao amanhecer, Jesus!
No café da manhã, Jesus!
Ao entardecer, Jesus!
Na roda de amigos, Jesus!
Antes de deitar, Jesus!

Se a consciência doer, Jesus!
Se a tristeza chegar, Jesus!
Se o coração sofrer, Jesus!
Se o dinheiro faltar, Jesus!
Se o amigo falhar, Jesus!

Se a violência crescer, Jesus!
Se a solidão ferir, Jesus!
Se a poluição cegar, Jesus!
Se o vício dominar, Jesus!
Se a partida chegar, Jesus!

Quem não parou, pare pra ver.
Quem não conhece, deve conhecer.
Quem ainda não vive, experimente viver, Jesus!
É vida, é paz, é luz, é salvação, Jesus!
Jesus! Jesus! Só Jesus!...

Letra: Valdomiro Pires de Oliveira
Primeira melodia: João Lucas Esvael
PROFETA 22 de outubro de 2014

PROFETA

PROFETA

O profeta têm os pés toscos,
suas mãos são habilitadas,
a sua voz é metálica
e sua língua afiada.

O profeta aprende a ser duro
com ele e até com os seus,
ele zela pelo bem do povo
e segue só a vontade de Deus.

O profeta silencia na hora certa,
mas não se cala diante de decretos,
não fala só de modo indireto,
ouve o Senhor, não o impositor.

O profeta não se deixa amansar,
não busca sua própria garantia.
Não esconde em seus filhos,
sua ganância ou covardia.

O profeta silencia as pedras,
grita dos muros e das janelas
a mensagem recebida do Senhor,
que não se adoça, nem se protela.

O profeta tem um jeito manso
Mas cada palavra é um corte
Que busca a vida nas profundezas
E vence a força da morte.


Valdomiro Pires de Oliveira
SHANGRI-LA 22 de outubro de 2014

SHANGRI-LA

SHANGRI-LA

Um dia acordei,
acordei em shangri-la.
E de shangri-la eu gostei,
e decidi: ficarei em shangri-la!
Sei que o meu corpo é frágil,
se desgasta, envelhece, acaba...
Não importa, já estou em shangri-la...

Se demônios me perseguem
com seus garfos de três pontas,
teimarei em viver em shangri-la...
Se falsos amigos e inimigos, querem
me acertar, com flechas envenenadas,
e não sei delas me defender, contarei
com a força dos anjos de shangri-la.

Shangri-la tem verde purificando
o ar, sons que me fazem bem ouvir,
flores que encantam o meu olhar,
fontes que nunca secarão e sabores
que saciam e apuram o meu paladar...
Sei, muitos desejam shangri-la
e de shangri-la a todos expulsar…
Mas sei também que shangri-la
não é mercadoria que se vende,
que qualquer um pode comprar.

Shangri-la tem encantas e segredos,
seguranças e vigias em cada canto,
que ninguém é capaz de localizar.
Shangri-la é pra se viver agora,
mas se alguém nos expulsar de lá,
ou sutilmente nos mandar embora,
moraremos para sempre em shangri-la.

Valdomiro Pires de Oliveira
ESTILINGUE 22 de outubro de 2014

ESTILINGUE

ESTILINGUE

Quando eu era menino
o meu pai me ensinou
a fazer bom estilingue
e também boa pelota.
Ensinou que passarinho
é matreiro e bom ouvinte,
por isso caçar é em silêncio
de preferência sozinho.

Quando chegava o sábado
eu preparava o estilingue
pra caçar o dia inteiro.
Minha pontaria era certeira
cada passarinho que caia
eu marcava na forquilha
pra mostrar aos amigos
os feitos daquele dia.

Eu já me arrependi das
malvadezas de menino
e até pedi perdão a Deus...
Não tenho mais coragem
de matar um passarinho,
nem mesmo uma lagartixa,
muito menos um bichinho.

Valdomiro Pires de Oliveira
SALMO DO DEPENDENTE QUÍMICO 23 de outubro de 2014

SALMO DO DEPENDENTE QUÍMICO

SALMO DO DEPENDENTE QUÍMICO

A droga é meu guia,
nada me faltará.
Ela atende os meus anseios:
leva-me às emoções desejadas
e às fontes do maior prazer.
Refrigera-me a alma aflita
e cansada dos becos sem saída...
Mas logo, sem querer, mergulho
num porão escuro, onde encontro,
de mãos dadas, o prazer e a morte.

Sinto medo, o chão treme sob os
pés e gela a alma dentro de mim.
Vou e faço uso novamente, mas
nem a droga me tira a fissura.
Desejo sumir, mas pra onde?...

Corro pra casa, antigo refúgio,
acho a minha mãe em oração, ela
sofre por mim, também adoeceu,
isso me fere o peito, me dói.
Tomo um banho, sento à mesa,
janto, fumo, troco umas palavras
com minha mãe e outras pessoas,
nem assim me sossega o espírito.

Um olhar, uma simples pergunta,
uma palavra qualquer basta
para me atravessar o peito
e aflorar a minha agressividade...
Penso que nenhuma bondade
habita mais o meu coração.
Sinto que me perdi de mim...
Percebo que fiz as pazes com
a morte, até já pedi pra morrer,
pois sei que posso matar alguém.
Ando estranho, frio, insensível...
Todos sabem, nunca fui assim!
Faço tudo pra me conter, mas
confesso, tenho medo do meu fim.

Rev. Valdomiro Pires de Oliveira
ORAÇÃO DA SECA 01 de janeiro de 2014

ORAÇÃO DA SECA

ORAÇÃO DA SECA

Vem ó Deus abençoar
esse chão seco de rachar,
com uma chuva alvissareira,
chuva boa e criadeira.

Se não chover tudo há parar:
as turbinas deixarão de girar,
as fábricas serão desligadas,
Os escritórios serão fechados,
a luz do poste se apagará,
e nem o sorveteiro passará.

Se não chover os rios secarão,
água faltará nas torneiras,
o caboclo não mais semeará,
o campo perderá sua beleza,
a terra não mais produzirá,
e comida faltará na mesa.

Se não chover nossa terra
arderá “qual fogueira de São João”
como cantou, Gonzaga, o rei do baião...
Asa branca para a sua terra voltará
e levará consigo a minha Rosinha
que bem podia por aqui ficar...

Valdomiro Pires de Oliveira

AMIGO OU PEDRA VIVA 01 de janeiro de 2014

AMIGO OU PEDRA VIVA

AMIGO OU PEDRA VIVA

Amigo, que saudade!
Que vontade de encontrá-lo
e atualizar a nossa agenda...
Saiba que ainda sou mesmo,
tenho uma caderneta na
farmácia e outra na venda.

Sou assim desde sempre...
Aprendi a ter só o indispensável,
e a não me apegar a bens duráveis...
Gosto mesmo é de algodão doce,
de suspiro e de pipoca da praça...
E enquanto como pipocas vou
tentando decifrar as palavras:
amor, saudade e outras mais...

Uma coisa sempre soube valorizar:
Os amigos que deixaram saudade,
pois são o meu único patrimônio.
E digo: gastaria o que não tenho,
faria uma caderneta na adega
e outra no açougue do vizinho,
para reuni-los no meu quintal,
por um dia ou uma noite...
Os amigos são as minhas jóias,
cravejadas de pedras preciosas
e você, ainda é, e sempre será,
a minha pedra mais viva.

Valdomiro Pires de Oliveira
CANÇÃO DO BATISTA 01 de novembro de 2014

CANÇÃO DO BATISTA

CANÇÃO DO BATISTA

Hoje vou lhe contar uma
história que merece ser ouvida.
Ela está na Bíblia, mas até
crente tem hora que duvida...
Era uma vez um homem
que vivia em lugar incerto...
Era visto às margens do Jordão,
ou nas montanhas do deserto.
Ele se vestia com pele de camelo,
comia gafanhotos e mel silvestre,
trata-se de João, o Batista,
que tinha da palavra muito zelo...

João tinha a sua própria luz,
mas era primo do Senhor Jesus,
quem o procurava sempre
levava aquele sermão.
Ele dizia sem medo do porvir:
Quem tem duas camisas
divida com o seu irmão.
Se fosse um soldado
ouvia a determinação:
Alegre-se como o seu salário,
e não caia na corrupção.
Se fosse um fiscal de renda
ele ensinava com autoridade:
cobre só o imposto se não
quiser perder a salvação.
Herodes levou dura repreensão:
João condenou sua violências
e por trair o próprio irmão.


Herodes e sua mulher, Herodias,
não gostaram dessa correção,
por isso mandaram prende o João.
Ali ele ficou esperando a liberdade,
Mas, da injusta execução, chegou o dia.
Sua cabeça foi cortada a pedido
de Salomé, jovem filha de Herodias,
pois o Batista insistiu em pregar
sempre com a mesma convicção.
Pregava o arrependimento e a
confissão para se obter a salvação,
exigia obediência ao Deus eterno
e avisava do risco que todos
correm de cair no fogo do inferno.

Valdomiro Pires de Oliveira
LAMENTO DOS PERDEDORES 01 de novembro de 2014

LAMENTO DOS PERDEDORES

LAMENTO DOS PERDEDORES

E o nosso time,
mais uma vez,
decepcionou:
contratou estrelas,
lançou promessas,
mas de nada adiantou.
Perdeu de três, até de seis!
Perdeu do maior rival.
Perdeu até do maior freguês.

De nada adiantaram nossa dança,
nossas faixas, nossas bandeiras,
nossa força e gritos esgoelados...
De nada adiantaram nossas “olas”
e a nossa alegria inundando os estádios.

De nada adiantaram nossas críticas,
brigas, lágrimas e xingamentos,
nosso desgaste, riscos e sofrimentos...
De nada adiantaram, nossos chinelos,
radinhos e até nossas dentaduras
atiradas nos gramados.

Restou pra nós chorar ou rir!
Vamos rir do nosso técnico,
rir dos diretores, dos jogadores...
E rir até de nós mesmos,
do nosso fanatismo cego,
das piadinhas dos amigos...
Vamos rir, rir muito...
Eu sei! Torcer é coisa séria,
mas também uma brincadeira.


Valdomiro Pires de Oliveira
NINIVIDA 01 de novembro de 2014

NINIVIDA

NINIVIDA

Olha Jonas ensinando
o amor sem distinção,
confissão mais sincero,
para se obter o perdão.

Em Nínive ensinou
priorizando a vida,
exaltando a justiça,
de dedo nas feridas.

Quem quiser se salvar
vai vestir-se de saco,
reconhecer seus pecados
e lixar-se com um caco.

Os ninivitas jejuaram,
até o rei pediu perdão,
Deus teve misericórdia
e Nínive obteve salvação.



Valdomiro Pires de Oliveira
SAUDADE DA CHUVA 01 de novembro de 2014

SAUDADE DA CHUVA

SAUDADE DA CHUVA

Que saudade da chuva!
anunciada pelo vento,
pelo cheiro de terra...
Que saudade dela!
Caindo no telhado,
embaçando a vidraça,
escorrendo na janela...

Quando voltará a chuva?
Moça bonita e fugidia,
que se foi sem avisar,
que não marcou o dia,
nem a hora de voltar...

Quanto mais ela demora,
mais sentimos sua falta,
mais pedimos pra voltar...
Moça bonita volta agora,
não dá mais pra esperar,
vem alegre, mui cheirosa,
que a dança já começou,
vem bonita, vem gostosa!...

Valdomiro Pires de Oliveira
ORAÇÃO DO IRMÃO MAIS VELHO 01 de novembro de 2014

ORAÇÃO DO IRMÃO MAIS VELHO

ORAÇÃO DO IRMÃO
MAIS VELHO

Pai,
o meu irmão anda infeliz,
fala de ir embora a todo instante,
tenho insistido com ele para ficar,
mas de nada adianta.

Penso que ele não sabe ainda
que o mundo só sabe se mostrar,
mas nunca deixou de ser enganoso,
promete o que não tem para dar.

Pai!
Precisamos repensar o nosso lar,
nossas prioridades, nosso querer...
Para onde vamos nessa correria,
se só temos uma vida para viver!

Cadê o seu tempo para o nosso lar,
para conversar com o meu irmão?
Cadê o seu tempo para a mamãe
e o nosso tempo para Deus?

Pai!
Como irmão mais velho, peço:
vamos fazer uma oração agora,
pedir a Deus uma coisa nova
algo que mude as nossas vidas
e impeça o meu irmão de ir embora...

Valdomiro Pires de Oliveira
POESIA PARA OS PAIS DE HOJE 01 de janeiro de 2014

POESIA PARA OS PAIS DE HOJE

POESIA PARA OS PAIS DE HOJE

Pai,
hoje acordei pensando em você,
mas fiquei quietinha, nem me mexi...
Percebi que você levantou cedo,
e, sem café, saiu para trabalhar,
em busca de nada nos faltar.

Pai,
você se foi e eu fiquei a pensar
no seu dia a dia por mim,
pela mamãe, por nós!...
Sei que um dia é mais
leve, outro mais pesado;
um dia é mais alegre,
outro verdadeira agonia!

Pai,
você não consegue chegar
cedo, para jantarmos juntos,
muito menos sair mais tarde
para tomarmos um café...
Olha pai! Isso não é cobrança,
é apenas uma constatação.

Pai,
por Deus, olhe pra nós, olhe no espelho!...
A vida passa e você não está vendo.
Pare!... Não deixe a vida levá-lo assim.
Pense no que é melhor pra você, no que é
melhor pra nós, antes que seja tarde demais.

Pai,
não precisa falar que a vida é dura
e que não se brinca com ela.
Você já nos ensinou tudo isso direitinho.
Sabemos até que a vida sempre dói,
mas nós sabemos que ela pode doer menos
trazer mais prazer e muito mais alegria...

Pai, estou feliz!... Hoje é o seu dia!

Valdomiro Pires de Oliveira
QUE ESCRAVIDÃO É ESSA? 03 de novembro de 2014

QUE ESCRAVIDÃO É ESSA?

INTERDNET - QUE ESCRAVIDÃO É ESSA?
Que escravidão é essa
que não vem dos Faraós?
Não vem do tempo de Hitler,
das grandes descobertas,
nem do tempo dos bisavós?

Que escravidão é essa
Que foi chegando de atoa
e a assimilamos a cada dia?
Aplaudimos seus artífices
e cada elo criado para a
corrente que já nos agrilhoa?

Que escravidão é essa?
É a escravidão virtual,
faca afiada de dois gumes,
que chegou de mansinho,
com ares de coisa do bem,
e foi acorrentado um a um,
não poupou a ninguém...

Hoje são milhões
acorrentados ao irreal,
conectados, mas soltos
num vazio existencial,
trocando juras e torpedos,
com mil presenças fictícias,
escravas dos próprios dedos.

Já se questiona os encontros!...
Se as pessoas nem se percebem,
não se olham, nem se comunicam;
não tocam, nem se deixam tocar
num abraço de rir ou de chorar...
O que toca é apenas o toque do celular.

Que droga!
Essa escravidão virtual não nos cala-boca,
não nos acorrenta os punhos, nem as pernas.
Não se mostra ingrata, cruel, violenta,
mas nos algema pela alma, o cerne do ser,
onde só Deus poderá mexer, nos libertar...

Que escravidão é essa?

Valdomiro Pires de Oliveira
FAZENDO UM PINGADO 27 de novembro de 2014

FAZENDO UM PINGADO

FAZENDO UM PINGADO
Eu tenho dois netos.
Tem hora que um é
o café e o outro o leite,
um defende o outro,
aí sai um pingado...
Tem hora que um
é água e o outro azeite,
aí se desentendem
e precisam ser ajudados.

Eu tenho dois netos:
O café é concentrado,
O leite meio diluído...
O leite faz das suas
e o café ri gargalhado...
O café propõe coisa séria
e o leite faz animado...
O café é mais artista
e o leite mais esportista,
cada um tem seus talentos,
mas não gostam de perder,
em nenhum momento.

Eu tenho dois netos:
O café tem a sua beleza,
que começa por dentro
e se expressa para fora.
O leite também tem a sua
que começa fora e escorre
para dentro. E a gente,
que acha os dois lindos,
passa horas pensado...
Como respeitar o café e
também o leite, e assim
fazer um bom pingado?

É tão bom ter netos!
A alegria deles é real,
sara os nossos corações,
é bálsamo, sem igual,
mas tem hora que a
dor deles dói na gente...
Dói quando eles perdem
alguma preciosidade da vida
e uma dor pungente entra na casa
sem licença, sem abrir a porta...
Então o café fala, protesta e chora...
E o leite corre para o quarto,
deita, esconde o rosto e não fala,
não chora, apenas sofre.
Aí os avós ficam sem assunto
e mesmo longe choram juntos...


Valdomiro Pires de Oliveira
RAQUEL SHEHERAZADE 11 de dezembro de 2014

RAQUEL SHEHERAZADE

RAQUEL SHEHERAZADE

Conheça essa mulher
que veio da Paraíba...
Mulher dura na queda,
sua língua é um bisturi
e fala sem deixar aresta.
Exalta quem faz o bem
e extirpa o mal que resta.
Quem é do bem a ama,
quem não é a detesta..

Conheça essa mulher
que veio de João Pessoa,
mulher de Deus e de fé,
que fala com sabedoria,
aquilo que queremos dizer.
Separando o joio do trigo,
mexe fundo o nosso coração.
Ela nos acorda os sonhos
já adormecidos lá no porão.

Conheça essa mulher...
Cotovia do nosso tempo,
que avisa às rãs e sapos,
lá do “buraco quente”,
que existe algo novo,
um mundo iluminado,
que só pelo trabalho,
pode ser conquistado.

Valdomiro Pires de Oliveira
11 de dezembro de 2014


Como é bom ficar só!
caminhar numa floresta,
balançar num cipó...
soltar um novo grito,
tirar da garganta velho nó...

Como é bom ficar só!
Sair do tosco casulo,
deixar de ser caracol,
abrir os olhos e voar
em um novo arrebol...

Como é bom ficar só!
Meditar olhando o mar,
deslizar uma nova onda,
navegar numa concha,
sem precisar se molhar...

Como é bom voar só!
Mesmo que sem jeito,
pipa ganhando o céu,
artista decorando texto,
achando seu novo papel...

Valdomiro Pires de Oliveira
VALDÔ e MIRO VALDOMIRO 05 de outubro de 2014

VALDÔ e MIRO VALDOMIRO

VALDÔ e MIRO
VALDOMIRO

Se você quer sabe melhor quem sou,
pra começar, saiba que dentro de mim
vivem dois moradores: o Miro e o Valdô.
O Miro nasceu, em Arapongas, em 1946;
O Valdô nasceu, em Guarulhos, em 1976.
O Valdô é mais o pai
O Miro é mais a mãe
O Valdô é mais urbano
O Miro é mais rural
O Valdô é mais maduro
O Miro é mais moleque
O Valdô é mais o dia
O Miro é mais a noite
O Valdô é mais exigente
O Miro é mais clemente
O Valdô é mais equilíbrio
O Miro é mais pirado
O Valdô é mais calculista
O Miro é mais atirado
O Valdô é mais sisudo
O Miro é mais sorriso
O Valdô é mais razão
O Miro é mais poesia
O Valdô é mais contido
O Miro é mais chorão
O Valdô é mais fazer
O Miro é mais lazer
O Valdô é mais a fé
O Miro é mais querer
O Valdô erra demenos
O Miro erra demais...
Esses personagens se apresentam com muitas facetas, mas o importante é que, no dia-a-dia, eles se fundem num só ser... Então, quem se apresentou a você não foi o Valdô, nem o Miro, mas o Valdomiro, que vive em busca de ser feliz e de saber a viver...

Valdomiro Pires de Oliveira